domingo, 10 de fevereiro de 2008

Abandono



Quarta-feira, 6 de fevereiro, tem um recado no orkut da Miriam, da AAPA (Associação dos Amigos e Protetores de Animais). Uma senhora havia ligado dizendo que tinha recolhido uma ninhada com três gatinhos recém-nascidos em frente da casa dela. Como já era noite, a Miriam pediu para que essa senhora ficasse com os bebês pelo menos durante aquela noite. Ensinou-lhe uma receita de um leite especial para bebês e como devia aquecê-los durante a noite com uma garrafa pet enrolada em uma toalha.


Quinta-feira, 7 de fevereiro, saímos às 10 horas eu e a Miriam para visitar algumas pessoas que tinham adotado cachorrinhos na feira de adoção há alguns dias atrás. Às 11 horas fomos à casa de dona Maria, a senhora que tinha recolhido os gatinhos recém-nascidos. Esse era o horário combinado em que ela estaria em casa. Quando lá chegamos fomos recebidos por uma senhora muito simpática que já havia adotado dois cachorros de rua. Ela nos explicou que na noite anterior havia chegado do hospital com o filho doente e não tinha condições de cuidar dos gatinhos recém-nascidos, já que eles necessitavam de muitos cuidados e atenção... Quando ela trouxe aquela caixinha de papelão, com três seres minúsculos, ainda com o umbiguinho, deu um nó na garganta... Quem é o monstro que tem a coragem de jogar fora criaturinhas tão indefesas??? Qual é a chance que teriam de sobreviver se não fosse a mão amiga da Dona Maria que os acolheu aquela noite?

Os bebezinhos choravam desesperadamente, tinham muita fome. Saímos correndo da casa da dona Maria em direção a uma farmácia para comprar uma seringa e um garrote (aquela borracha que prende no braço quando se mede a pressão) que serviria de bico para eles mamarem... Estava tão nervosa que a Miriam me pediu para deixá-la na rua mesmo e voar para casa. Queria ver se a gatinha da minha irmã, que tinha adotado um bebezinho maior, podia ao menos aquecê-los. Quando cheguei na minha irmã, a gatinha adotou imediatamente os bebezinhos e ela passou um dia e uma noite inteira com eles. Infelizmente o gatinho maior, na tentativa de fazer sair leite da mãezinha adotiva deixou-a com as tetinhas machucadas e com uma infecção. O veterinário pediu que afastasse o bebezinhos da mãezinha adotiva para ela poder se curar. Desde então, os bebezinhos tem sido mantidos aquecidos com uma garrafa pet com água quente e de três em três horas estão mamando um leitinho especial. Estão sobrevivendo, são pequenos guerreiros que têm muita gana de viver. Dois deles estão fortinhos, o menorzinho não sei se vai conseguir... Fico pensando, em algum ponto dessa cidade uma mãezinha felina deve estar sofrendo, procurando seus filhotinhos com as tetinhas cheias de leite... Quem teve a coragem de fazer isso?

Manhã de sexta-feira, 8 de fevereiro, recebo o telefonema da Leila, minha colega da pós-graduação: a cunhada dela e também nossa colega da pós havia perdido um filho de 17 anos, a idade dos meus filhos...Não sei o que pensar, não sei o que dizer, o nó na garganta se transformou em lágrimas. Vem a minha mente a música "Pedaço de mim" de Chico Buarque que retrata a dor de uma perda...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Por que é tão comum protetores de animais comerem carne?






A história da nossa espécie - Homo sapiens -, sobre a Terra é marcada por uma progressiva ruptura entre nós e o entorno, como nos ensina Milton Santos. Essa afirmação, verdadeira sobretudo para as sociedades industriais, nos obriga a refletir, entre muitas outras questões, sobre o fato de estarmos nos distanciando cada vez mais dos processos produtivos que fabricam diversos itens e produtos que consumimos no nosso dia-a-dia. Isso significa que pouco sabemos sobre o custo ambiental, social, etc, da maior parte desses produtos. Por exemplo, para ter acesso à eletricidade basta tocar o interruptor, e para saborear um pedaço de carne, basta escolher um bom corte no supermercado. Mas o processo de produção de diversos produtos que consumimos quotidianamente pode ser bastante predatório em muitos sentidos.


Nossa dieta alimentar, por exemplo, pode ser geradora de grandes impactos sociais e ambientais, dependendo se ela é basicamente vegetariana ou carnívora (rica em proteína animal, em geral). As dietas essencialmente carnívoras provocam hoje gigantescos impactos sociais e ambientais como destruição de habitats e perdas de biodiversidade; consumo exacerbado de recursos naturais renováveis e não renováveis (como água, solo, petróleo); poluição; destruição de pequenas propriedades rurais e exclusão social; além de estar associada com o aumento de incidência de diversas doenças como as cardiovasculares, obesidade, câncer, etc. Todas essas razões seriam suficientes para abdicarmos de uma dieta rica em proteína animal, pois tal dieta é insustentável. Entretanto, a questão central deste grupo de trabalho é o sofrimento infligido aos animais que são criados e abatidos para consumo humano. Enfim,

Por que é tão comum protetores de animais comerem carne?

A resposta, me parece, está pelo menos em parte ligada a essa ruptura entre nós e o entorno. Embora possamos prescindir de carne e outras formas de proteína animal para garantir uma boa saúde, muitos protetores de animais ainda comem carne unicamente porque, de um lado, não têm que matar o animal com suas próprias mãos, e de outro, desconhecem todos os sofrimentos por que passam tais animais antes de chegar às suas mesas. Em outras palavras, vale a velha máxima: "o que os olhos não vêem, o coração não sente".

A relação seres humanos-animais pode ser tratada sob inúmeros aspectos: tráfico de animais; alimentação rica em proteína animal; uso de animais em ensino e pesquisa; uso de animais em circos, rodeios, etc, animais de rua, e muitas outras. A questão dos animais de rua é sem dúvida um dos principais focos de atuação da maior parte das ONGS que têm como objetivo o amparo e a proteção dos animais, e é um problema muito mais visível, pois os animais abandonados estão sofrendo diante de nossos olhos. Esse problema é, entretanto, apenas a "ponta do iceberg", quando se trata da relação entre nós e os animais.

Além dos inúmeros problemas sociais e ambientais antes apontados, cada vez que nos sentamos à mesa estamos compactuando, ou não, com a exploração e sofrimento de milhares de animais. Embora esse sofrimento não esteja diante de nossos olhos, a verdade é que diversos outros seres sencientes, isto é - capazes de experimentar prazer, dor e outras sensações -, passam suas breves vidas confinados em condições deploráveis para depois serem abatidos e nos servir de alimento. Porcos, frangos, bezerros, perus e muitos outros animais são brutalmente mutilados antes de virar comida: seus rabos e bicos são cortados ou queimados para evitar o canibalismo e/ou para que não possam escolher parte de seu alimento; são castrados sem anestesia; são transportados para os matadouros sem água ou alimento suportando temperaturas extremas, etc. O sofrimento pode ser tanto que em muitos casos - como o dos bezerros criados para produzir vitela -, o abate, ou seja a morte, é quase que uma redenção, já que marca o fim de uma vida absolutamente miserável. Há ainda muitas outras formas de sofrimento impostas a animais que não são criados em cativeiro como a separação entre mães e filhotes, a separação de rebanhos, as marcas com ferro em brasa, e outros sacrifícios que não levam em consideração os interesses dos animais, como argumenta o filósofo Peter Singer.

Mas será correto submetermos seres sencientes a todo esse sofrimento para deles tomamos carne, ovos, leite ? Serão os animais nossos companheiros de jornada na Terra, ou meros recursos para nos servir e atender nossos desejos hedonistas ? A triste realidade é que em nossa sociedade os animais estabulados e de granja deixam de ser seres vivos e se tornam meros objetos, no caso, meros containers de proteína. É patético pensar, por exemplo, que a idade em que porquinhos são abatidos, é a mesma época em que, em outras condições, esses mamíferos inteligentes estariam brincando animadamente, tanto quanto nossos cães e outros animais de estimação. De fato, o mesmo tratamento considerado "normal" ou "aceitável" para muitos animais que nos servem de alimento, é considerado cruel e suficiente para dar voz de prisão, quando aplicado aos nossos animais de estimação. O Decreto Lei 24.645/34, por exemplo, que estabelece medidas de Proteção aos animais, prevê como crime uma série de situações de sofrimento que ocorrem corriqueiramente com animais submetidos a processos de produção industrial, mas isso jamais impediu que tais sofrimentos fossem impostos aos animais.

Se tratamos cães e gatos com carinho e amor, mas não nos sensibilizamos com o sofrimento de outros animais, estamos sendo injustos. Não somos mais caçadores-coletores e temos à nossa disposição uma ampla variedade de fontes de proteína que nos garantem uma alimentação balanceada. Portanto, pelo menos no que diz respeito à maior parte da população urbana do mundo, a carne e outras formas de proteína animal podem ser consideradas um luxo já que é possível prescindir de seu consumo. O tratamento diferente que damos a cães e porcos, por exemplo, fere o princípio ético da igualdade, entendida como igual consideração de interesses. Ser passível de sofrimento é a característica que diferencia os seres que têm interesses - os quais deveríamos considerar -, dos que não os têm. Enfim, a condição de "senciente" é suficiente para que um ser vivo seja considerado dentro da esfera da igual consideração de interesses.

Paula Brügger
Por que protetores de animais comem animais?
"Palestra proferida do 36 Congresso Vegetariano Mundial"

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Meus amores felinos


Desde que me conheço por gente sempre amei animais. Não sei explicar a razão mas o meu relacionamento com os felinos sempre foi muito especial. Parece que já nasci abraçada num gatinho, e foram tantos no decorrer da minha vida...

Alguns nasceram aqui em casa, outros foram deixados na frente de casa e outros tantos vieram pela fome, encontraram comida, carinho e acabaram ficando...

Fiquei alguns anos sem gatos aos meus cuidados, embora minha irmã, também gateira, continuasse cuidando deles. Foi o período que os meus gêmeos eram pequenos e era uma correria tão louca que não conseguia tempo para dar a atenção que os bichinhos mereciam. Porém, há sete anos atrás, meus filhos chegaram com uma linda branquelinha abandonada filhotinha, era a Taylor, nome dado por eles a essa linda da foto. Depois dela muitos outros... Hoje a família é formada por quinze gatos e mais seis cachorros que estão com a minha irmã.

Os animais são as coisas mais maravilhosas que alguém pode ter, infelizmente são seres extremamente maltratados. Por isso, prá tentar ajudar de alguma forma, tornei-me voluntária da AAPA (Associação dos Amigos e Protetores dos Animais de Cruz Alta), uma entidade formada há mais de cinco anos por um grupo de amigas iluminadas que decidiram tomar uma atitude contra os maus-tratos existentes com os animais em Cruz Alta (RS), minha cidade. Minha chegada na AAPA é recente, meu trabalho como protetora era feito anteriormente somente com a minha irmã, com os nossos próprios recursos. Mas chega um momento que é preciso fazer mais, e o convite da Patrícia, membro da AAPA, para eu ser voluntária veio no momento certo. Escreverei mais sobre a AAPA no decorrer dos dias.


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